Calor no Frio da Serra

Uma das principais preocupações que tivemos ao projetarmos os nossos chalés foi quanto ao uso de materiais adequados ao local para atender às necessidades que nós julgávamos importantes. Claramente tínhamos em mente o que nós queríamos. Acho importante frisar isto pois durante a busca por profissionais na região ouvimos mais de uma vez frases como: “aqui é feito desse jeito”, “para que isso?”, “não precisa disso aqui”.

Estamos na Serra da Mantiqueira, sendo portanto uma região de clima ameno onde pode-se curtir o frio nos meses de outono e inverno. Notem que eu disse curtir o frio e não passar frio. O conforto térmico teve portanto uma atenção especial e tomamos diversas medidas visando o bem estar e a segurança de nossos hóspedes. Listarei a seguir algumas das medidas que adotamos, em termos construtivos, e os convido a pensarem nos benefícios que elas significam:

  • Construir os chalés suspensos do solo, pois isso trazia uma menor necessidade de intervenção no terreno (praticamente zero) e menos umidade nos chalés proveniente do solo;
  • Utilizar a laje com poliestireno expandido. É um material leve, resistente, que não se deteriora e um excelente isolante térmico;
  • Construir as paredes com tijolo cerâmico vazado. Necessita de colunas de concreto porém possui uma menor transmissão térmica, ou seja, possui melhor isolamento térmico do que os blocos de tijolos maciços ou os blocos de cimento tipicamente utilizados na região, sendo mais adequado aos locais com grande variação de temperatura. Os blocos maciços também deixariam o ambiente mais escuro;
  • Adicionamos um isolamento térmico de lã de vidro às paredes internas junto com um revestimento de drywall;
  • Os telhados possuem um “colchão de ar” (ótimo isolante térmico) juntamente com material refletivo sob as telhas, que são do tipo shingle (altamente padronizado e resistente);
  • A “grande janela” que dá vista para as montanhas é feita com esquadria de PVC. Este tipo de esquadria é muito utilizada principalmente na Europa, de onde são originários a maioria dos fornecedores deste material no Brasil, devido à excelente vedação que ela provê, além da grande resistência devido aos perfis de aço que possuem internamente. Dificilmente você verá uma esquadria deste tipo sacudindo ou fazendo barulho com o vento. Um bônus é que elas também são de fácil abertura e fechamento, diferente das esquadrias de madeira normalmente utilizados nos chalés tradicionais.

Isso tudo permite que a diferença de temperatura interna e externa chegue a até 8 oC, mostrando que as decisões tomadas foram corretas. Além do excelente isolamento térmico, há o bônus de um ótimo isolamento acústico que favorece o sono tranquilo de nossos visitantes.

Além disso, alguns itens dentro dos chalés foram cuidadosamente pensados da mesma forma:

Calefator de Dupla Combustão – foram colocados nos chalés ao invés de uma lareira tradicional pelas seguintes razões:

  • Maior eficiência – enquanto uma lareira tradicional possui uma eficiência de aquecimento em torno de 10-30% (a maior parte do calor vai embora pela chaminé), um calefator como os utilizados em nossos chalés possui a eficiência maior que 80%, ou seja, aquece mais com menos queima de combustível. Como aproveita melhor o combustível, utiliza menos lenha para você não ter que ficar levantando o tempo todo para reabastecimento. Por esta razão é também mais ecológico e sustentável;
  • Mais seguro – pois possui com uma porta de vidro cerâmico, que deve ser mantida fechada, e que evita que fagulhas saltem podendo provocam algum acidente;
  • Menor risco de intoxicação – a porta fechada também evita a emissão de monóxido de carbono para dentro do cômodo, que pode ser letal em grandes quantidades, e outros gases resultantes da queima da lenha. Como medida adicional de segurança existem grelhas de exaustão para que gases mais leves, como o monóxido de carbono, sejam levados para fora do chalé;
  • Mantém a visibilidade das chamas que trazem uma sensação de aconchego.

Outras Itens para Conforto no Frio:

  • Toalheiro Aquecido – permite que as toalhas sejam aquecidas e secas para cada uso. Nossos toalheiros ainda são controlados eletronicamente por um sistema de automação que os desliga após algumas horas de ativação;
  • Aquecedores de Água a Gás – são aquecedores também com controle eletrônico e são instalados do lado de fora dos chalés, devidamente protegidos contra intempéries, para mitigar possíveis problemas decorrentes dos gases expelidos por tais dispositivos;
  • A planta hidráulica foi pensada de forma a ter uma rápida disponibilidade de água quente em caso de uso. Todas as torneiras dentro dos chalés dispõe de água quente, sendo que o chuveiro e a pia usam monocomando para facilitar o ajuste de temperatura (já foi em uma pousada onde teve que gastar um bom tempo para ajustar a temperatura da água?);
  • Água pressurizada para que o banho seja bem agradável;
  • Disponibilizamos ainda, principalmente nos meses mais frios, uma boa quantidade de cobertores e edredons de excelente qualidade e confortáveis para nossos hóspedes;
  • Cafeteira Nespresso para aquele café quentinho;
  • Chaleira elétrica para aquele chá com ervas de nossa propriedade;

Acredito que boa parte das características listadas acima sejam bastante incomuns em outros locais de hospedagem mas o que nós buscamos foi tentar oferecer o que nós gostaríamos de encontrar nos locais que frequentamos.

Quer curtir o frio sem passar aperto? Venha se hospedar conosco!

A Busca Pelo Lugar

Como já mencionei anteriormente, nosso interesse pela Serra da Mantiqueira começou há muito tempo, ainda no tempo de faculdade. Na verdade o nosso interesse sempre foi pelas montanhas. Apesar de morar há poucos minutos da praia durante nossas vidas, não conseguíamos apreciar a atividade de virar “bife à milanesa” durante todo um dia de sol, como muitos de nossos amigos gostavam de fazer.

Durante a época da faculdade, tínhamos um grupo de amigos que viajava frequentemente para Lumiar no RJ. Na época era um vilarejo bem simples que frequentamos por muitos anos e onde colecionamos muitas histórias. Frequentávamos o lugar praticamente todos os finais de semana, seja em pousadas simples (muito simples, que era o que nossos bolsos permitiam) ou em casas alugadas. Um dos points na época era o bar do Geninho, onde jogávamos sinuca e comíamos hamburgers. Como muitas coisas na vida, cada um tomou um rumo diferente na vida e os interesses também foram mudando. 

Para nós dois o novo interesse passou a ser Visconde de Mauá. Destino hippie no passado, era um lugar com um charme especial. Composta de três vilas (Visconde de Mauá, Maringá e Maromba), nos identificamos com Maringá de Minas (a vila ainda é dividida entre RJ e MG pelo rio). O local apresentava uma vegetação intensa e uma calma receptiva do lado de MG. O tempo de viagem até lá era maior do que ir a Lumiar e por isso íamos uma vez por mês. No início, a subida da serra era por estrada de terra, que maltratava bastante os carros e por isso era lenta. No entanto, não deixava de ser interessante, principalmente se conseguíssemos subir durante o dia para apreciar a vegetação. Em Visconde de Mauá começou o nosso interesse pela Serra da Mantiqueira.

Depois de asfaltarem a subida da serra de Visconde Mauá, aconteceu o esperado: aumentou o fluxo de turistas, porém nem sempre de “bons turistas”. Acredito que boa parte da beleza da região de Visconde de Mauá estava no fato de ser uma região relativamente preservada e nem todo turista tem o cuidado de deixar as coisas como foram encontradas.

Mais recentemente, olhamos propriedades na região de Visconde de Mauá, mas acho que já não era mais o lugar pelo qual nos interessamos no passado. Ao longo de muitos anos continuamos viajando por diferentes cidades na Serra da Mantiqueira, tentando encontrar um local que despertasse nossos interesse. Nessa busca quase sempre optamos por viajar durante a semana para ver como era a vida local. Observávamos se havia um comércio local, as cidades próximas, onde comer e muitas vezes nos encontrávamos em “cidades de turistas” que funcionam somente aos finais de semana e ofereciam muito pouco nos dias úteis. 

Em Visconde de Mauá fizemos amigos e nos hospedamos em locais que de alguma forma influenciaram nossas vidas atuais. Se alguém quiser conhecer o lugar recomendo a Pousada Jardins do Passaredo em Maringá de Minas, de propriedade dos irmãos Marcelo e Cândido, que é um lugar bem charmoso e de bom gosto. O Marcelo nos influenciou bastante no gosto musical e também tem boas histórias para contar.

Passamos a intensificar a nossa busca e frequentamos ao longo do tempo os três estados cortados pela Serra da Mantiqueira. Também fomos aperfeiçoando nossa perspectiva sobre o local que queríamos.  Algumas das cidades que visitamos foram Gonçalves (MG), Delfim Moreira (MG), Cristina (MG), Maria da Fé (MG), Itatiaia (RJ), Santo Antônio do Pinhal (SP), entre muitas outras.

Depois de mais de 20 anos do início de nossa procura várias coisas contribuíram para decidirmos por uma mudança de vida e nesse momento avaliamos que dos três estados que são permeados pela Serra da Mantiqueira, um deles possuía uma situação econômica estável. Juntando tudo, acabamos escolhendo São Bento do Sapucaí, no estado de São Paulo, como nossa nova morada. Cidade pequena no alto da Serra da Mantiqueira, poucos habitantes e com vegetação e clima bastante aprazível. São Bento do Sapucaí é mais conhecida com lar da Pedra do Baú e por ser vizinha de Campos do Jordão, mas possui diversos atrativos para os praticantes de escalada, corrida de trilha, mountain bike, trekking, além de algumas boas opções gastronômicas, vinícolas e cervejarias nas proximidades. Fica ainda a cerca de 3h da cidade de São Paulo, tornando-se um bom local para aquela fuga de final de semana, apesar de muitos acharem que somente um final de semana é muito pouco para explorar o local. Se acertamos ou não, somente o tempo irá dizer.

Uma Breve Apresentação

Eu, engenheiro, e ela, advogada.

Este blog é para compartilhar um pouco da nossa experiência de mudança de vida. Não muito pois se quiserem mais detalhes vão ter que vir se hospedar em nossa pousada e conversar pessoalmente conosco.

A paixão pela Serra da Mantiqueira começou ainda no tempo de faculdade. Numa época um pouco menos insegura onde podia se viajar mais tranquilamente à noite sem medo de ser “abordado” nas estradas. Nesta época conhecemos Visconde de Mauá. Já havíamos ouvido falar muito do local, como destino hippie no passado, e ficamos absolutamente empolgados com o local em nossa primeira viagem, que levou nada menos que 4 horas. A subida da serra ainda não era asfaltada e a estrada não era das melhores. Realmente só ia quem gostava muito do lugar. E assim voltamos inúmeras vezes, sem e com asfalto. Após o asfaltamento da estrada o tempo de viagem caiu pela metade mas com ônus ao local pelo aumento de turistas, nem sempre com espírito de preservação do local.

Recém formados, até prospectamos algumas propriedades no local mas nos faltava maturidade na época. Apesar disso, acho que nunca descartamos a idéia de viver na Serra da Mantiqueira.

Me graduei em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense e praticamente toda minha vida profissional foi em multinacionais da área de tecnologia. Período no qual tive a oportunidade de passar por mais de uma dezena de países e conhecer diferentes culturas e me expor à diferentes experiências.

Ela se graduou um pouco depois de mim em na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

Após algumas décadas de “vida urbana” nos tornamos “novos rurais”, que é somente um neologismo, pois na verdade ficamos relativamente próximos de grandes centros urbanos e conseguimos comprar praticamente tudo pela internet.

A idéia aqui não é fazer um relato cronológico de nossas vidas mas sim compartilhar informações que podem ser úteis para outras pessoas. Queremos ajudar dando informações que não conseguimos durante nossa dura, acidentada mas bem sucedida jornada. Meu lema sempre foi “não é porque não existe que não pode ser feito” e segui-lo sempre trouxe bons resultados.